sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Modernidade

"A câmera não deve ser um obstáculo para a expressão dos personagens, mas uma testemunha indispensável que irá motivar sua expressão". (Jean Rouch)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Parece coisa saída de um Das Nuvens à Resistência.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Recomendo o muito bom texto do Jr. para o novo filme de Eugène Green. Eu, porém, não desmereceria o rosto que "se abre à passagem de um feixe de emoções que se revezam e se misturam, e que constituem um conjunto agitado de forças das quais não se sabe ao certo qual a predominante", pois nos dois momentos de atuação que mais me impressionaram neste ano justamente isso aconteceu: em julho, aqueles segundos tão fortes e intensos que duram o último plano de Marion Cottilard em Inimigos Públicos; em agosto, Joaquin Phoenix em Two Lovers. Havia lá, entre outros grandes momentos, as juras de amor louco de Leonard à vizinha por quem é apaixonado. Pois bem, para mim não deixará de ser tocante perceber as reações do personagem ao experimentar sentimentos diversos, reações essas as quais podem se materializar num turbilhão, numa hesitação na voz ou na escolha pelo silêncio que exprime afeição numa correnteza de amor.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

tourneur/cimino

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Hoje

PAIXÃO - Às 22h00 no TCC.

domingo, 20 de setembro de 2009

A primeira edição da Revista Foco está no ar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

magritte/carax/soavi

segunda-feira, 13 de julho de 2009


domingo, 12 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009


Numa cena de Mon Oncle, uma senhora presenteia com uma flor a anfitriã duma festa da qual é convidada: "esta flor é linda" uma diz, "sim, e é de plástico", a outra responde, para então concluir: "uma flor eterna". Ouvir isso leva-nos a uma constatação terrível: as pessoas gostam de ser enganadas pelo que há de mais vão, mais fútil nas coisas. A dona da casa, querendo impressionar a vizinha, costuma ligar o chafariz do jardim quando esta bate à porta... e aparentemente o consegue. O Senhor Hulot, porém, vive num bairro onde as frutas da feira são de verdade e as conversas (entre ele e sua vizinha, entre o dono do restaurante e o limpador de lixo da rua) surgem espontaneamente. Ama a vida simples e sem amarras e adora os momentos que passa com o sobrinho. Este certamente também os adora, pois sai da prisão mal projetada, gélida, de brancura claustrofóbica em que vive. Para um lugar semelhante a este enviam Hulot na conclusão do filme. O mesmo drama de Ventura - o saudosista Ventura - de Juventude em Marcha: Fontaínhas, o bairro pobre onde morava, foi demolido para a construção de um novo para o qual foi transferido ele e outros moradores.

sexta-feira, 10 de julho de 2009


Uma vez eu e um amigo conversávamos e ao falar de Bom Dia, Tristeza ele disse: "eu queria morar nesse filme". Hoje assisti no cinema ao As Férias do Senhor Hulot; eis um filme em que a idéia de nele morar não me causa espanto. Ali, o sol, o mar, o ranger da porta, o som do vento e os gritos das crianças compõem uma única canção de amor. Hulot, cujos gestos desengonçados conferem-nos o prazer em ver todo o discorrer da ação, é o maestro da empreitada; ele, com quem a natureza insiste em brincar, como na magnífica cena na qual o vai e vem das ondas esconde o balde de tinta. Capaz de transformar uma explosão de fogos de artifício num episódio de guerra, faz com que haja graça em tudo, mas nunca abandona a cordialidade: quando caminha rumo ao seu carro velho nos últimos instantes do filme, curva-se rapidamente como que para agradecer a uma platéia. Guarda para nós, porém, uma última gag: o som do motor, que antes pareciam tiros, soam como aplausos. Inventei isso? Juro como me pareceu justamente isso. Se não foi, não me repreendo de forma alguma por tê-lo aplaudido, na minha cabeça.

sexta-feira, 3 de julho de 2009



Dans votre mise en scène, vous cultivez aussi l'aléatoire et l'accidentel ?

La dimension documentaire des films m'intéresse beaucoup. J'aime bien saisir des choses qui viennent de la réalité à l'intérieur d'un plan. Mais il n'y a aucune prétention à vouloir montrer de "l'arraché" à la réalité. Dans le recueil de mes chroniques des Cahiers, Poétique des auteurs (Cahiers du cinéma, 1988), il y a un article que j'ai intitulé Le Papillon de Griffith, à propos du Rayon vert de Rohmer. C'est un cinéma dans lequel le passage d'un papillon dans un plan appartient à la nature du plan et renforce l'impression de réalité. Beaucoup de cinéastes attendraient que le papillon passe pour faire jouer les acteurs, parce qu'ils considèrent que le papillon distrairait le spectateur de l'action dramatique. Alors que chez Rohmer, tout demande que le plan soit habité par les choses de la réalité. Chez Resnais, Sternberg ou Visconti, un papillon ne peut pas passer. Chez Kubrick non plus, interdit de papillon ! Chez les Straub, Ford, Walsh, Naruse ou Rivette, le papillon peut passer. Le papillon ne peut passer que chez les cinéastes où il y a de la contemplation du monde.

JEAN-CLAUDE BIETTE