domingo, 24 de setembro de 2017

"The sharpest battle of the intellectual war occurred in 1937, when Nancy Cunard and a group of other Left-wing writers in Paris (including the young British poets W. H. Auden and Stephen Spender) sent out a questionnaire to 200 writers in Europe, with this provocative content: “Are you for, or against, the legal government and people of Republican Spain? Are you for, or against, Franco and Fascism? For it is impossible any longer to take no side.” The confrontational questionnaire elicited 147 answers, the overwhelming majority of which–126–supported the Republic. Five writers explicitly responded in favor of Franco (among them the novelist Evelyn Waugh and the WWI poet Edmund Blunden). Among sixteen responses that Cunard, in her eventually published compendium, grouped under the skeptical heading “Neutral?” were those of some of the most famous writers of the age: H. G. Wells, Aldous Huxley, Ezra Pound (even at this time deeply involved in the Italian Fascist party), and the Anglo-American poet T. S. Eliot. Since the mid-1930s was not an era where attempts at neutrality would be tolerated, these writers were taken either as morally weak and equivocal or as mere closet Fascists trying to protect their reputations. In fact, several of them were either equivocal or Fascist or both. Not so with T. S. Eliot.

Eliot’s actual response, in fact, is a distillation of a much broader and more penetrating agenda, which he spent the last half of his life pursuing. He wrote this response to Cunard: “While I am naturally sympathetic, I still feel convinced that it is best that at least a few men of letters remain silent.” Rather than a deft side-stepping of the issue, what Eliot offers here is the credo that he had been developing since his conversion to Christianity and entrance into the Anglican Church in 1927: a socio-political version of the Anglican theological tenet know as via media."

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Seria Snake Eyes o L'argent do De Palma?


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Desses detalhes que não são detalhes, mas que só são notados depois de algumas dezenas de revisões: em Carlito's Way, nunca vemos a casa de Al Pacino. O que chega mais perto disso é a boate que ele gerencia, cuja decoração remete ao interior de um navio. Nada mais apropriado para ele, personagem que vive à procura de um lugar para ancorar-se e repousar.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

"É muito natural que, quando nos tivermos entregue aos movimentos ordenados que uma grande peça ou narrativa estimula em nós - quando tivermos dançado aquela dança, respeitado aquele ritual ou obedecido àquele ritmo - isso nos sugeriria várias reflexões interessantes. Graças a essa atividade "desenvolvemos a musculatura mental". Podemos agradecer a Dante ou a Shakespeare por esses músculos, mas será melhor não lhes atribuir a paternidade do uso filosófico ou ético que fazemos disso. Por um lado, esse uso não crescerá muito - pode crescer um pouco - acima de nosso nível habitual. Muitos dos comentários sobre a vida que as pessoas extraem de Shakespeare poderiam ser alcançados até por aqueles de pouco talento sem o auxílio do escritor. Por outro lado, poderá impedir futuras recepções da própria obra. Poderemos voltar a ela especialmente para confirmar nossa crença de que ensina isto ou aquilo, mais do que para uma renovada imersão no que ela é de fato. Devemos ser como o homem que atiça o fogo não para ferver a água ou aquecer um ambiente, mas na esperança de nele ver as mesmas imagens que viu no dia anterior. E, uma vez que um texto, para um determinado crítico, não é mais do que "uma luva de pelica" - já que tudo pode ser um símbolo, uma ironia ou uma ambigüidade -, deveremos achar facilmente o que queremos. A suprema objeção a isso é que se ergue contra o uso popular de todas as artes. Estamos tão ocupados atuando sobre a obra que damos a ela pouca chance de atuar sobre nós. E é assim que, cada vez mais, encontramos apenas a nós mesmos." 

C. S. Lewis - Um experimento na crítica literária

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sully (Clint Eastwood, 2016)


A primeira cena de Sully é um pesadelo. O piloto sonha que o avião cai no meio de Nova York. As últimas palavras dele são uma derradeira declaração de amor à esposa.

Na primeira sessão sobre o evento do pouso no rio Hudson, questionam-no justamente a respeito do casamento. Ele parece constrangido pela pergunta e, ao dizer que os problemas que possui são iguais aos de outras pessoas, parece esconder que no fundo a relação lhe causa, sim, preocupações.

A personagem da esposa de Sully é trazida ao filme em outros momentos, sempre separada fisicamente do protagonista. Eles conversam por telefone, ela reclama dos repórteres que batem com insistência à porta e do fato de a vida deles ter sido virada pelo avesso.

A relação de Sully com a esposa é o primeiro de uma série de círculos concêntricos que exploram o fato de haver uma desordem em cena: o próprio piloto (espécie de Jó), apesar dos vários anos de experiência, passa a se colocar em questão e duvidar da proeza que realizou; além disso, há um país inteiro cuja ferida aberta pelo 11 de setembro não havia ainda sido cicatrizada.

O filme de Clint Eastwood é a história de uma restauração, em vários níveis: Sully, ao final, sente orgulho daquilo que foi capaz de fazer e, através da sua história, o país volta a poder olhar para o céu com esperança e pensar que nem só os anjos têm asas  - ou que anjos existem, mas nem todos as possuem.

O filme, porém, não conclui a história de Sully com a esposa. Desde a primeira cena havia sido criada uma expectativa pelo reencontro de ambos, a superação da distância, o abraço, o retorno à normalidade, a porta fechando nas suas costas, o inverso, enfim, do final de Rastros de Ódio, ao qual Eastwood já se remeteu alguma vezes em sua obra. Não veio.