sexta-feira, 8 de abril de 2011

Colorado Territory (Raoul Walsh, 1949)

Um homem deseja se libertar de seu passado. Embora tenha em mente planos para o futuro, ele se debate com as coisas que o fizeram ser o que ele é até o momento. Wes McQueen fugiu da prisão. De passagem por alguns lugares, volta a fazer contas com o que havia deixado para trás. Descobre que a sua pretendente à esposa está morta. Ele acha um bando para fazer, em tese, aquele que será o seu último assalto a trem. Nesta jornada fica dividido entre duas mulheres: a bela e sensual Colorado, que não lhe asseguraria o que ele deseja para si, que é o repouso, e a jovem e doce Julie Ann, a qual o faz rememorar a falecida. Porém o destino surpreenderá McQueen: Julie Ann se mostrará uma menina tola e egoísta; Colorado, por sua vez, aquela que lhe dará conforto e com quem ele deve se casar. Porque ele não é mais o mesmo do passado, jamais poderá voltar a ser - esse é o grande tema neste filme em que o oeste vira palco de paixões. O mundo mudou e McQueen também. Talvez os anseios dele no presente não sejam compatíveis com a atualidade do mundo. É o seu drama: ele quer uma vida de sossego, mas aquele não é um oeste sem lei nem direito, pelo contrário, querem vê-lo preso, pessoas que cumprem seus papéis de guardas e xerifes o caçarão por quilômetros a dentro naquelas paisagens. Colorado Territory se passa numa realidade um tanto turva, como os tons de cinza dos canyons que se misturam com o das nuvens. Ali, as aparências não são definitivas, os limites do previsível ficam borrados. A vastidão, um tiro, um zoom: McQueen não cansou de se mostrar ciente a respeito de que mais cedo ou mais tarde morreria, porém de fato não acreditava que ainda seria possível morrer de mãos dadas com a mulher que ama.

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